Quando um sonho vira projeto de carreira

A colaboradora Danielle Macedo Santos começou na Siemens como estagiária e hoje é líder na fábrica de Turbinas, em Jundiaí (SP)

Ela passava às vezes na frente da fábrica da Siemens, em Jundiaí, e pensava: “um dia, quero trabalhar aí”. O desejo virou realidade quando Danielle Macedo Santos foi admitida como estagiária, e se tornou um feito histórico no dia em que a engenheira se tornou a primeira mulher líder de fábrica da unidade.

 

Desde o primeiro curso técnico que frequentou –logística – Danielle já se encantava com o trabalho na indústria. Tanto que escolheu cursar engenharia de produção na sequência. A experiência anterior foi em uma empresa de pequeno porte, e a oportunidade de fazer um estágio na Siemens surgiu depois disso.

 

 

“Quando vim para a entrevista, o gestor estranhou que eu aceitar a função de estagiaria, sendo que na outra empresa era coordenadora, mas eu deixei claro que queria desenvolver uma carreira na Siemens”, lembra Danielle, recordando-se da conversa que aconteceu em 2015.

 

Admitida para a função, no início Danielle adotou uma postura reservada, mas logo foi assumindo tarefas nas quais tornou-se praticamente uma especialista. Uma delas, os apontamentos de fábrica. A necessidade de apresentar esses apontamentos em reuniões ajudou a então estagiária a ganhar confiança. Ao final de um ano, duas áreas demonstraram interesse em efetivá-la.

Ainda como estagiária e depois, efetivada, eu sempre procurei deixar claro que meu objetivo era desenvolver uma carreira, assumindo os desafios que aparecessem
Danielle Macedo, líder da fábrica de turbinas da Siemens em Judiaí. 

“Ainda como estagiária e depois, efetivada, eu sempre procurei deixar claro que meu objetivo era desenvolver uma carreira, assumindo os desafios que aparecessem”, conta a engenheira. O grande desafio apareceu dois anos após a efetivação, quando se tornou líder da fábrica de Turbinas, responsável por uma equipe totalmente formada por homens, a maioria deles bem mais velhos que ela.

 

O início foi muito desafiador, segundo ela, principalmente pela falta de costume dos colegas em responder para uma jovem, então com 29 anos. “Ainda são raras as mulheres na gestão, de forma geral, e essa estranheza muitas vezes faz com que a mulher precise se impor de forma mais explícita”, explica Danielle.

 

Um ano depois de se tornar líder, Danielle conquistou a equipe com sua capacidade profissional. “Hoje, sinto que os colaboradores têm em mim não apenas uma gestora, mas alguém que pode orientá-los. A relação é próxima e baseada na confiança, e até o ambiente da fábrica ficou melhor, com mais organização”, comemora a engenheira.

 

Como pioneira na função, Danielle compartilha sua experiência e aconselha as colegas cujo plano é desenvolver carreira. “Não deixe ninguém julgar você pelo gênero. A capacidade não tem nenhuma relação com isso. O importante é a perseverança de transformar seus sonhos em realidade”, conclui.