O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho

Para o cientista Rolf Heuer e outros especialistas,apesar das vantagens da AI, as empresas vão sempre valorizar profissionais inteligentes

Inteligência artificial vai eliminar empregos?

Especialistas do mercado dizem que a AI vai mais criar do que reduzir postos de trabalho.

Os robôs com inteligência artificial ou simplesmente AI (sigla do termo em inglês artificial intelligence) estão ganhando mais espaço nas empresas. Essas máquinas atuam como assistentes virtuais em call center, trabalham em fábricas automatizadas, apoiam médicos na descoberta de diagnósticos e em cirurgias. Em breve, a tecnologia marcará presença também nos carros 100% autônomos que, segundo as indústrias automotivas, serão lançados no mercado em meados de 2020. Esses são apenas alguns exemplos de aplicação da inteligência nas tarefas repetitivas.

 

A pergunta que está na cabeça de todos é o quanto a AI afetará o mercado de trabalho. Estudos do Gartner indicam que a inteligência artificial vai gerar mais empregos do que eliminar. A previsão da consultoria é de que essa tecnologia criará 2,3 milhões de novas oportunidades de emprego no mercado mundial até 2020. 

 

Visão semelhante tem Erik Brynjolfsson, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e autor do livro “A Segunda Era das Máquinas”. Em palestra exibida pelo site Ted Talk, ele disse que os robôs com inteligência artificial estão realmente conquistando empregos na área jurídica, de finanças, saúde e em praticamente todas as indústrias.

 

Mas o entendimento do professor do MIT é de que os profissionais podem deixar as tarefas repetitivas para os robôs e se unir a eles para criar soluções e serviços com inovação em larga escala. "Em vez de correr contra a máquina precisamos é correr com a máquina", sugere ele, ressaltando que a tecnologia não é o destino final. "Nós moldamos o destino", afirma Brynjolfsson.

 

A IA é uma das tecnologias fundamentais para otimizar instalações da indústria 4.0, construir cidades inteligentes e moldar a sociedade do futuro. Por apostar nessa tendência, a Siemens está empregando a IA em uma variedade de aplicações para atender clientes de diversos setores da economia como de petróleo e gás, energia e mobilidade.

 

Uma dessas aplicações é o protótipo de um robô de dois braços desenvolvido por pesquisadores da Siemens que pode fabricar produtos sem precisar ser programado. Os dois braços do equipamento dividem as tarefas de forma autônoma e trabalham juntos como um só.

 

A Siemens considera o sistema robótico com AI crucial para as fábricas do futuro. É para avançar nessa tecnologia que a empresa inaugurou no ano passado um laboratório de IA, localizado em Munique, na Alemanha. O novo espaço tem o objetivo de estimular ideias e fomentar pesquisas em inteligência artificial.

Sempre há preocupações quando temos uma nova revolução. O que aconteceu com o primeiro motor a vapor está acontecendo agora com inteligência, um dos pilares da indústria 4.0
Rolf Heuer, ex-diretor geral do CERN e DPG

Confira a entrevista completa 

Para o cientista Rolf Heuer, ex-diretor geral do CERN (European Organization for Nuclear Research) e German Physics Association (DPG), as máquinas inteligentes podem ajudar na pesquisa, indústria e vida cotidiana. Porém, afirma que as corporações vão precisar sempre de pessoas inteligentes.

 

Em entrevista ao Pictures of the Future, o cientista comentou sobre os efeitos da AI no mundo do trabalho. Veja a seguir os principais trechos dessa conversa:

 

 

Inteligência artificial é um termo que inspira esperança e gera preocupação. Qual sua opinião sobre esse assunto?

Costumávamos explicar a AI como software inteligente ou redes neurais capazes de identificar padrões graças ao crescente volume de dados. Hoje ainda é assim. Mas há uma diferença: as pessoas estão fornecendo ao software uma quantidade imensa de dados e escrevendo de uma maneira que o torna inteligente o suficiente para vasculhar informações. A tecnologia procura padrões por conta própria e seleciona apenas a combinação que as pessoas precisam.

 

Cite um exemplo.

O sistema de controle do acelerador de partículas do CERN é equipado com milhões de sensores para monitorar o funcionamento adequado de tudo. Vários sensores são acionados simultaneamente, conforme os padrões são reconhecidos. A questão não é o que cada um está fazendo, mas o trabalho de todos. Com um software inteligente que combina o conhecimento adquirido de todos os sensores, poderemos ignorar algum deles em particular. Mas se o sensor vizinho exibe a mesma discrepância, o programa precisa ter inteligência para saber o que fazer.

As pessoas não desempenham mais um papel importante?

Sim desempenham. Porém, as decisões precisam ser tomadas em tão pouco tempo que não se pode depender apenas das pessoas, que são mais lentas em comparação com as máquinas. Mas são os humanos que configuram o desligamento das máquinas, pois elas não podem fazer isso sozinhas.

 

Mas no futuro a máquina poderá fazer isso?

É uma pergunta difícil. A indústria também está explorando isso porque envolve muito dinheiro e segurança humana. Seja para linhas de produção, turbinas a gás ou a infraestrutura para trens. Os sensores fornecem a base para definir exatamente o momento de desligar. Apesar de toda a inteligência artificial, o valor da experiência humana não deve ser desconsiderado. Eu não posso imaginar que as máquinas vão nos substituir um dia.

 

No entanto, a AI desperta receios quanto à perda de empregos.

 

Sempre há preocupações quando temos uma nova revolução. O que aconteceu com o primeiro motor a vapor está acontecendo agora com inteligência, um dos pilares da indústria 4.0. É responsabilidade da sociedade como um todo determinar o que representa perigo para empregos? Se assim for, precisamos descobrir o que podemos fazer sobre isso. E se não, isso tem que ser explicado. Na minha opinião, essas decisões precisam ser baseadas em informações corretas e baseadas em fatos. A ciência tem de se posicionar.

 

Quais as oportunidades a IA abre para nós?

 

Essas novas tecnologias naturalmente aceleram muitas atividades. A tecnologia impulsiona as aplicações industriais, o nosso cotidiano e a pesquisa aplicada, por exemplo. O tempo de comercialização é reduzido e os produtos são fabricados com maior qualidade e de acordo com a necessidade dos consumidores.

 

Os temores sobre a superioridade da máquina são exagerados?

 

Sim, desde que a gente se mantenha informado e consciente da nossa responsabilidade. Há muitas áreas mais perigosas como os celulares, que estão disseminando informações que nem sempre são verdadeiras. Isso deve ser preocupante, mas não a IA propriamente. Nossa obrigação social é assegurar que permaneçamos sempre à frente das máquinas inteligentes que construímos.

Quer saber mais?

Fique atualizado o tempo todo: tudo o que você precisa sobre transição energética, automação e digitalização! 

Receba nossa Newsletter com as principais notícias.

Inscreva-se agora!