O verdadeiro custo dos falsos alarmes de incêndio

Mais de 75% dos alarmes de incêndio gerados automaticamente no Reino Unido são falsos ou indesejados. Este é um grande problema quando se considera o grande número de instalações comerciais e industriais equipadas com sistemas de detecção automática de alarmes e o número de chamadas desnecessárias que eles causam para os serviços de incêndio e salvamento

Para a segurança pública é uma boa notícia que os alarmes automáticos e os sistemas de detecção estejam amplamente instalados. Todavia, 75% de imprecisão significam que a brigada de incêndio do Reino Unido não consegue lidar com o número de alarmes que recebe. O ideal seria que as equipes respondessem imediatamente a cada alarme e verificassem o incêndio, para que pudessem tomar medidas de salvamento, se necessário. Mas há tantos alertas que elas não possuem bombeiros ou equipamentos suficientes para fazer isso.

 

É por isto que os serviços de bombeiros costumam utilizar a triagem para descobrir se os alarmes são reais ou falsos. Operadores especializados ligam para o local do alarme e pedem a um membro da equipe para confirmar se há um incêndio. Mas isto não pode ser algo preciso, caso a pessoa não possa monitorar ou verificar o edifício inteiro. Ou pode não haver ninguém no local para efetuar esta verificação.

 

Os especialistas em segurança contra incêndios concordam que uma meta aceitável seria de 10 a 20% de alarmes falsos ou 80 a 90% de alarmes genuínos.

O custo dosalarmes falsos no Reino Unido

Toda vez que o Corpo de Bombeiros envia uma equipe para um alarme falso, isto causa gastos desnecessários. E há uma sobrecarga extra no financiamento das equipes da central de atendimento. O governo galês informou fez um relatório sobre os falsos alarmes no mês de junho de 2015, constatando que responder a eles seria uma “atividade totalmente improdutiva”, ao custo de 3 milhões de libras por ano. O diretor-assistente do corpo de bombeiros dos Serviços de Incêndio e Salvamento do Sul do País de Gales, Andrew Thomas, disse: “O que precisamos fazer é entender como reduzir o número de alarmes gerados e, uma vez feito isto, o que nos impede de ser chamados. “

 

De acordo com as estatísticas (governamentais) do Ministério do Interior (governo), somente os Serviços de Incêndio e Salvamento da Inglaterra atenderam a cerca de 226.000 alarmes falsos de incêndio no ano de 2017/18, encerrado em junho de 2018. Isto significa 41% do total de chamadas. A Fire Industry Association (FIA) estima que os falsos alarmes custam ao Reino Unido mais de 1 bilhão de libras por ano.

O risco humano de alarmes falsos de incêndio

Como as equipes são enviadas para muitas chamadas de alarme falsas, isto significa que elas não chegam aos incidentes genuínos com a mesma rapidez. O risco para a vida humana, por causa disto, é motivo de enorme preocupação.

 

Uma investigação independente da mídia descobriu que cada chamada em North e West Yorkshire demanda um caminhão e quatro bombeiros fora de serviço, com custo entre £323 e £355 por hora. “O custo prático está no prejuízo deste recurso para salvar vidas”, disse David Williams, presidente do Sindicato dos Bombeiros de Yorkshire. “Há um momento no qual você não consegue voltar. É quando fica crítico.”

Há também um efeito perigoso no comportamento das pessoas, caso elas habitem ou utilizem edifícios com muitos alarmes falsos. Depois de um tempo, elas sentirão que não há necessidade de reagir a um alarme. Porém, para um entre dez ou cem alarmes que são genuínos, a complacência pode ser fatal.

Há um custopara as empresas também

Para os proprietários de edifícios e empresas, os alarmes falsos atrapalham as atividades diárias. Eles são inconvenientes e, às vezes, estressantes para os usuários destes edifícios. Eles podem fazer com que os clientes parem de utilizar o edifício ou a empresa. Por exemplo, um hotel que tem frequentes alarmes falsos durante a noite impedirá rapidamente que os hóspedes façam de novo sua reserva. Alguns serviços ingleses de combate a incêndios começaram a cobrar os piores infratores por conta das chamadas de alarme falso, em uma tentativa de recuperar o custo de seu tempo e dos recursos. 

O que provoca os alarmes falsos de incêndio?

Muitos alarmes falsos são causados por estímulos que induzem os sensores a pensar que há um incêndio. O ato de cozinhar — como grelhar bacon ou torradas em um restaurante, uma lanchonete ou na cozinha de um hotel — é um dos culpados. Os processos industriais, como soldagem e retificação, podem desencadear falsos alarmes em fábricas. O vapor dos chuveiros em quartos de hotel é outra causa comum. Em todos os tipos de ambientes públicos, a fumaça do cigarro, a poeira, o vapor dos cigarros eletrônicos, os aerossóis e os produtos de limpeza podem enganar os detectores para que anunciem automaticamente um incêndio. 

Tecnologia pode reduzir alarmes falsos

Os fornecedores de alarme e detecção estão utilizando uma tecnologia mais inteligente para ajudar a resolver este problema. Um relatório recente da Associação de Seguradoras Britânicas (ABI, na sigla em inglês) destacou os resultados dos testes de comparação de dispositivos de sensor individual e multi-sensores (veja “Testes da ABI/FPA de sensores no Reino Unido: teste de imunidade a alarmes”, abaixo). Os dispositivos multi-sensor tiveram imunidade muito melhor a alarmes falsos.

 

Os detectores multi-sensores podem fazer uma amostra de uma combinação de diferentes indicadores de incêndio, incluindo calor, fumaça, monóxido de carbono e luz. Individualmente, estes são marcadores não confiáveis, entretanto, um dispositivo que pode detectar alguns ou todos eles é muito mais preciso. Os novos sistemas inteligentes também podem ser calibrados para o ambiente, aplicando o nível correto de sensibilidade para detectar e filtrar estímulos que podem estar presentes sem representar um risco de incêndio. Estes podem incluir fumaça de cigarro, gelo seco ou fumaça de cozinha.

 

Os fabricantes de alarmes responsáveis desenvolveram multi-sensores que podem ser descartados em sistemas existentes, substituindo os sensores individuais. Isto torna mais fácil e acessível para os proprietários dos edifícios a adoção da nova tecnologia.

Fazendo adiferença em ambientes públicos

Para um grupo de acolhimento de Edimburgo, a tecnologia mais recente fez a diferença para a segurança e o conforto de funcionários e convidados. A casa noturna do G1 Group, Cabaret Voltaire, utiliza gelo seco, que pode enganar os sensores de alarme. O Grassmarket Hotel vivenciou muitos alarmes falsos devido ao banho de vapor, aos aerossóis e à atividade culinária. Com o ASAtechnology TM (ASA = traduzido do inglês, Análise de Sinal Avançado), os sistemas de detecção da Siemens instalados por nosso parceiro Black Box Fire & Security agora detectam incêndio e fumaça reais, de forma antecipada e confiável, filtrando sinais enganosos. O resultado não são mais os mais alarmes falsos ou interrupções dispendiosas das atividades nas instalações do G1 Group.

Testes da ABI/FPA de sensores no Reino Unido: teste de imunidade a alarmes

A Fire Protection Association (FPA) realizou testes em nome da Associação de Seguradoras Britânicas (ABI), em uma instalação dedicada de demonstração de detectores de fumaça no Fire Service College na cidade de Moreton in Marsh. Os estímulos testados foram soldagem, vapor de uma chaleira, torrar pão, queima de madeira, queima de heptano e soldagem que incendiava o heptano.

 

Quatro modelos Siemens foram testados. Havia dois detectores de fumaça tradicionais e dois dispositivos inteligentes. Os dispositivos inteligentes foram testados com diferentes configurações projetadas para três ambientes diferentes:

 

·       Resposta sensível/rápida em ambientes limpos (escritórios, acomodações para dormir)

·       Resposta média, adequada para ambientes cotidianos

·       Resposta direcionada, na qual a imunidade a falsos alarmes é essencial (em oficinas industriais ou onde a detecção está vinculada a um sistema de supressão)

 

O relatório descobriu que os dispositivos inteligentes eram mais exigentes e mais lentos para reagir a estímulos falsos, como vapor ou fumaça de torradas, sem comprometer a velocidade de reação a ameaças reais de incêndio.

 

A FPA resumiu suas descobertas no relatório:

 

“Estas demonstrações simples mostram claramente os benefícios potenciais do uso de detectores inteligentes equipados com unidades multi-sensores. Elas também ilustram que é importante que as configurações usadas sejam cuidadosamente adaptadas ao ambiente (...) para garantir a imunidade a falsos alarmes, bem como uma resposta rápida a ameaças reais de incêndio (...)”

 

A FPA compartilhou os resultados dos testes com o British Standards Institute (BSI) e o Building Research Establishment (BRE) para apoiar seu trabalho na atualização de padrões relacionados a alarmes de incêndio falsos e indesejados.

Picture credit:  Getty Images / Chemistry

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